domingo, 21 de dezembro de 2008

Igualdade, respeito, luta e progresso

Sim, há ordem no caos.
Ordem e progresso, filhos da pátria!

Ordem?
Não, não há ordem no caos.
Para o povo?
Não consegue ter a própria vida em ordem, e ainda terá de ser ordenado por estâncias superiores?
Existem estâncias superiores para quê?
Para representarem o povo! Ué...

O dia em que a bandeira mudar para "igualdade e progresso", ou então "respeito e progresso", o Brasil começará a deixar de lado as raízes coronelísticas.

Me desculpem os amantes da bandeira, mas essa ordem proposta é tirania.
LUTA E PROGRESSO!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Inóspito papelão

Inóspito papelão
Olham-te e nada fazem
Desprezam a condição

Vive sem sândalo

sábado, 13 de dezembro de 2008

O homem deve ser lembrado

Talvez pareça mais um clichezinho cotidiano...
Mas quando eu era pequeno, acreditava muito nas pessoas, tinha raiva delas e mesmo assim acreditava.
Eu quase sempre achava lindo e genial aquele pouco, pequenas e repentinas coisas que, sem dúvidas, outra pessoa logo esqueceria (não a Patt). Uma vez cheguei a chorar de verdade por ver um velhinho - com traços tristes e cansados - vender sorvete por alguns centavos. Todos que passavam, nem olhavam, passavam reto.
E eu entrei no carro chorando, mas sem mostrar aos meus pais. O que mais queria era sentar ali perto do velhinho, ouvir alguma história.
Hoje, consegui perceber o quanto devo continuar a acreditar nas pessoas. O quanto devo criticá-las e o quanto devo ouvir cada palavra que, muitas vezes, não tem espaço neste tão justo sistema.
Bastou ouvir de um artista de rua: "Estou estudando pra tentar escrever um roteiro", pros meus olhos lacrimejarem.
Ele, com o pouco que tinha pra oferecer, ofereceu ajuda.
Talvez pareça mais um clichezinho cotidiano...
Talvez até os clichês mereçam ser lembrados.
Por mais manjado que o mundo esteja, não me importo de acreditar. Nem de parecer o típico adolescente sonhador.

O homem deve ser lembrado.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Marx - complemento ao pensamento feuerbachiano

"[...]as mudanças qualitativas são conseqüências de revoluções quantitativas; a contradição é interna, mas os contrários se unem num momento posterior: a luta dos contrários é o motor do pensamento e da realidade; a materialidade do mundo; a anterioridade da matéria em relação à consciência; a vida espiritual da sociedade como reflexo da vida material."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Modernidade Líquida - Zygmunt Bauman

Prefácio

Ser leve e líquido

A nova, de diversas formas, modernidade tem semelhança com os fluidos. Ela não se atém a qualquer forma e está sempre pronta e propensa a mudar. Apesar de a modernidade, desde seu começo, constituiu-se em um processo liquefação das instituições, antes estava mais vinculada ao repúdio da tradição, eliminando as obrigações sem relevância que dificultavam o cálculo racional. Essa característica da primeira modernidade possibilitou a dominação da racionalidade instrumental e o papel dominante da economia na constituição de uma nova ordem social. Essa idéia de construção de uma nova e melhor ordem já não está no horizonte da ação política. Aqueles poderes de liquefação, antes no nível marco do sistema e da política, agora passaram ao nível micro da sociedade e da política da vida. Nesse contexto, a flexibilidade que o tempo adquiriu e o acesso a rápida mobilidade transformaram-se em ferramentas de dominação e poder, o qual se tornou extraterritorial. É o fim do secular Panóptico e sua era de engajamento mútuo entre capital e trabalho, permitindo o surgimento de “senhores ausentes”, que se movem leves e confiantes da desnecessidade de se ocupar com a responsabilidade de administração, gerenciamento e bem-estar. Hoje, são os poderosos que evitam o durável, enquanto a base da pirâmide luta por suas frágeis e transitórias posses. Para que o cenário permaneça, o mundo deve estar livre de barreiras e fronteiras.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Paga?

Contaram-me que a autoridade não paga.
Dei risada e achei mais um filosófico papo de bêbado, ou mesmo um papo alcoolizado por si só. Mas esses dias a frase voltou, e então consegui perceber sua essência, sua verdade, o quanto traduz a realidade brasileira.
Não paga por nada, nem pelo trabalho, nem pelos atos. Não paga por nada.
Ué, sempre me disseram que todos precisam pagar e dar sua contribuição...
[...me lembrei até da crítica aos índios...]

Logo, olho pro meu representante no executivo e me surpreendo:
Ufa! Ele se preocupa em pagar!
Parece até ficção...

Pagar qualquer um com cinquentinha, ganhando votos pra reeleição.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ATO PÚBLICO - CONVITE

ATENÇÃO. Na próxima quinta-feira, às 19:30 horas, no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, estaremos realizando um evento supra-partidário com o objetivo de colocarmos a posição, da maioria da cidade, sobre o momento político em que vivemos. Detalhe: Este não é um evento apenas de partidos e sim de toda a sociedade civil, que está indignada com o escândalo das cassações, e principalmente com a “compra de votos”. Todos estão convidados para este levante popular a favor da legalidade política na cidade. Vamos mobilizar os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho, da escola, enfim, todos aqueles que querem uma cidade livre do coronelismo político. Apenas confirmando: QUINTA-FEIRA, 19:30 HORAS, NO GABINETE DE LEITURA RUY BARBOSA. Está na hora de mudanças, Jundiaí!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Novas regras, velhos hábitos

Nada mais assustador do que a própria situação afásica, diante de inúmeros problemas convergentes.
São as palavras, que faltam quando não se preocupam com a necessidade de quem as procuram.
É engraçado e comovente, surtos acabam por controlar os movimentos de toda a sociedade. Impressionante sentir o entusiasmo humano, a ambição, e acima de tudo o ensaio e a fábula.
Nada mais erudito do que não saber nada.
É estranho - mas deveria trazer confiança - sentir-se como segmento inferiorizado.
A tal epistemologia parece não funcionar em tempos de maquinaria
Contínua vontade de entender o porquê.
Produzir a qualquer custo, idéias a qualquer custo. Quantidade é o negócio.
É fácil se obrigar - pelos instintos selvagens - a produzir uma nova "coisa" dentro do pré-estabelecido. Isso mesmo, coisa, que se confundi com desejo, e ao mesmo tempo, vê-se que o pensamento moderno é tributário.
Novas regras, velhos hábitos.
O moderno de hoje é diferente do moderno de anos atrás, mas continua o mesmo. O todo se renova, guiado pela própria razão incontestável, pela própria figuração humana.
Desejo do novo, vitória do velho, vitória do novo. E permanece.
As relações entre diferentes estágios de sabedoria - a grosso modo - fazem parte de um jogo ainda maior, aquele do discurso, às vezes, inconstante. Não há meios para esse se tornar constante dentro da sociedade da demarcação, e cada estágio de intelecto tem seu valor e sua função.
Antes mesmo da união da experiência com vontade ou desejo, (a sociedade de desiguais, hierárquica dentro da própria esfera privada/pública) a família já está pré-estabelecida. Essa fusão sustenta graus constantes de hierarquias hereditárias.
Claro, toda essa aprendizagem familiar é essencial para a construção do indivíduo, mas até certo ponto. No momento em que relações hierárquicas internas afetam o mundo externo, a situação ganha um novo conceito de indivíduo, o indivíduo da hierarquia hereditária.
Entendendo, é possível definir uma nova síntese: os indivíduos modernos convivem diariamente com relações precedentes. Por mais óbvio que pareça ser, é quase sempre esquecido.

domingo, 23 de novembro de 2008

Minha namorada tem ciclos

Tem

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MAIOR

A revolução não se dá de uma hora pra outra, muito menos é vencida de uma hora pra outra.
É algo muito maior, e pode sim se tornar cotidiano.

Sabes que não faria por mal, não destruiria o elo por imbecilidades.
É algo muito maior, e pode sim ter solução.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vou andando, movimento

Orgulho não falta, pauta
Traído pelo próprio desgosto
Café com canela, por favor
O troco tá errado, dei 20
Prédios acabam por mostrar passado e presente
Neles, os formigueiros de gente
E mais uma vez o desgosto
Banal, vertical
Do balcão vê-se o movimento
É isso, movimento
Dançarinos, pastas, automóveis, já dirigi um
Tudo em movimento
E o som ambiente
Deixa inerte, do lado de fora
Mas o dinheiro traz movimento
Desgosto também
Enquanto fica movimentado
O trânsito vai me irritando
Sei lá, vou andando

Pra quê?

Pra que mentir
Se tu sabes que eu te quero?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Rigidez

Para todos os ouvintes da Rádio-Pirata deixo bem claro:
- Escrevoporquequeronãoporquesei.


Não uso vírgulas.

Qualquer rigidez ganha o jogo.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A multidão engoliu

Parece túnel, constante, curto e sonolento.
Sonolento como o leve balanço do metrô.
Os olhos, estes fixam e não desviam por nada, nem mesmo pela voz anunciando a próxima estação.
Impressionante aquele sono!
Quando clareou, a chuva deixava gotas na janela, deixava intocável o sono dela.
Última parada anunciada.
Levantou e saiu como se nada tivesse acontecido, nem mesmo olhou para trás.
A multidão engoliu.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Espetáculo incerto

O público publica o aplauso, e aplausos publicados permanecem.
O espetáculo já havia começado.
É como um circo, palhaços por todos os lados.
O dinheiro do ingresso se esvaindo sem direção, como flechas incertas, como bancos incertos.

Inexorável.
Simplismente.

O ex-público?
Também aplaude o tempo todo.

A platéia que sentava no fundo se organizava e dizia:
- Me tornar algo privado? Direitos incomuns?
Nunca!

O dono do espetáculo teve que ir embora.
Resmungando calado, teve que ir embora.
O martelinho batendo:
- Posso ir, mas nada vai mudar!

Como Vinicius, o preto mais branco, respondia.
Com ele a multidão do lado de fora exigia:
- Publicização do privado!

Se perguntavam:
- A casa de shows deixará de ser branca?

Não existe ignorância lá no fundo.
O espetáculo está quase no final.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Assinaturas

Descobri o quanto um vereador pode ser fdp!

É sério, to pasmo de ver tanta imbecilidade. Deu uma de engraçadinho.

Recado:
- Aprenda a ler primeiro, depois tente algo sério na política.


Urgência!!! A cidade precisa de assinaturas!

domingo, 2 de novembro de 2008

Ronda 2

Na noite alta os ratos rondam
E no asfalto os carros roncam

Bares e clubes luzem, sinais
Gangues de punks lúmpens demais
E prostitutas passam ao léu
E viaturas surgem no breu

Quando nas casas os justos dormem
Quando não matam os brutos morrem

Os seus olhos filtram letras
Luminosos, faroletes e holofotes
Nos seus olhos se reflete
Todo o lume do negrume dessa noite

Cena de bangue-bangue, faróis
Tiras, bandidos, anti-heróis
Tiros e gritos, cante mortal
Cena de sangue, lance normal

E pelas ruas, peruas rugem
Se abrem alas e as balas zunem

De repente você treme
E a sirene passa entre automóveis
Em suspense você pensa
O que pode com o ódio desses homens?


Arrigo Barnabé

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Entre dicotomias e transformações

As grandes dicotomias me assustam. Não sei se pela falta de objetividade, ou então pelo exagero especulativo.
Continuo assustado.
É preciso um crescimento, interesse. Delimitar, representar, ordenar o próprio campo de investigação.
Como base, temos o universo dividido em duas esferas, sempre polarizadas. Ou não.
Um dos pólos, talvez o positivo, se mostra em crescimento. Enquanto o outro, apesar de atos soberanos, busca fundamentos e teorias no outro pólo. É o que vemos.

Quando leio, vejo a paz se transformando em não-guerra. Assim como as teorias se transformam em não-práticas.

Entre a esfera pública e a privada, vejo apenas a inversão de valores.
Ainda existe justiça?

O tal do ego, é relevante sim.
Não será chocante ver alguém acordar como uma barata gigante, ou então mandar tomar no próprio cú.

domingo, 26 de outubro de 2008

Súbita vontade

Entre livros e cadernos, uma súbita vontade.
Já batiam 11 horas.
Apesar do gosto do café morno e do pão na chapa ainda na boca, o calor foi se entrelaçando com palavras e vírgulas.
Saiu correndo com sua bicicleta pelo asfalto esfumaçado, rumo à venda mais próxima.
Agora, em vez da gramática, das guerras e dos recursos naturais, apenas via brahmas e budweisers. Levou das duas.
Colocou-as pra gelar. Gelou, precisava tomar rápido e escondido.
Tomou.
Abriu o livro novamente e continuou.

sábado, 25 de outubro de 2008

Cuecas sujas

Nada de cuecas sujas em cima do meu abraço!
Deixa cheirinho gostoso!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Conversas mandarim

Vi a casa cheia de mato.
Meses que não cortam aquele mato.
Quem vive lá?

Sobrado, cinzas de cigarro sobre minha cabeça. Calor.
Entre conversas mandarim vi o carrão na casinha.
Brinquedos espalhados.
Capital, parece capital. Talvez começo do século passado.

Pra quê grades? Prisão?
Uma rua sem esquina, em vez de esquina, uma casa, em vez de casa, uma grade.
E outra grade. Imigração.

Mais um pouco, chopp depois do trabalho.
Vi o homem do papelão.
A sapataria, vazia.
O homem, não.

É

Odeio desabafos.

Vou à feira

Descobri que fui enganado.
Qualquer um me engana.
O tempo todo, apesar de inconstante, fui perdendo para elogios.

Caralhos, desabafos, frio, raiva e amor.

Caí na praça, mas não no abraço.
Meu telefone tocou. Cortei.

É mais fácil alimentar. É mais fácil ter amizades modernas. Ou não.

Exatamente.
Vou à feira.
Vou comprar a fórmula transcendental do direito público.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sem mais

Bem no meio da movimentada avenida, a largarta verde e gigante passeia, sem mais.
Rodeada do gás tóxico, reivindicações, homens, buzinas, programas de tv, janelas sem fim, pés sujos (alguns pela falta de sapato) que desviam da inusitada. Passeia, sem mais.
Enquanto o ar condicionado pinga.
O homem observador, talvez um motoboy com pressa, me diz:
-É o resto de meio ambiente!

Passos sobre a tubulação do transporte ou mesmo a da sujeira do cotidiano, guiam para mais 100 metros da arte.
Na cabeça, o receio de estar sobre a terra daquela verde lagarta.
As pessoas correm da chuva, sem mais.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

À paz perpétua

"Se há um dever, se há ao mesmo tempo uma esperança fundada de tornar efetivo o estado de um direito público, ainda que somente em uma aproximação que progride ao infinito, então a paz perpétua, que sucede os até aqui falsamente assim denominados tratados de paz (propriamente armistícios), não é uma idéia vazia, mas uma tarefa que, solucionada pouco a pouco, aproxima-se continuamente de seu fim (porque os tempos em que iguais progressos acontecem tornar-se-ão, tomara, cada vez mais curtos).

Immanuel Kant - "À paz perpétua" - 1795

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ágora eletrônico

Nasceu em tempos de esperança, numa comunidade que na verdade nunca existiu.
Ao longo da vida, sempre se sentiu criador. Chocou-se quando descobriu que era apenas criatura. Talvez fosse ambos ao mesmo tempo.
Bocas enganosas sempre perseguiram, inclusive seus pensamentos viajantes e cheios de ética secularizada.
Nunca foi o mesmo.
Apesar de errático, obcecado, monocórdico ou polifônico, sempre tentou convencer de que deveria ser ouvido.

Entrou para a aldeia global, virou cidadão cibernético e respeitado. Sentia-se bem. Queria mais. MAIS.
Queria desvendar e às vezes ser desvendado, queria inventar e ser reinventado. Queria apenas "o agora", um ágora eletrônico.

Viveu contornando o real, tanto, que a falsa comunidade transformou-o num fosso. Cada vez mais fundo. Cada vez mais mundo.
Agir.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Artigo Final:

terça-feira, 14 de outubro de 2008



O menino amarelo

E o menino amarelo nessa de querer impressionar...
Por que não ele?
Parece que nunca alcança. Cansa. Pensa que nunca vai alcançar.
Mentira!
Sempre achou bonita a palavra escrita, temia não poder criar.
Mentira!
Fazia seu broto de poesia, pensando numa melodia, pra cantar, numa serenata, num luar.
Mentira!
E o menino amarelo, de tanto ouvir mentiras, resolveu falar.
De tanto ouvir críticas, resolveu criticar.
De tanto tentar amar, resolveu deixar. Partir. Mentir.
Partiu para não desagradar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A reza do atingido

Ah! Gostaria de olhar para os lados e ver, viver e nascer com os estatutos do homem!
Talvez na minha bandeira, talvez na cabeceira, talvez no meu portão.
Os quais nasceram em meio a confusão! Nascia naquele ano, juntamente com eles, a tal da repressão. Nascia ali a sede por justiça, então.

Tiros de esperança eram descontrolados.
Em Moscou: "Que se eleve a cultura do povo!", simples, mas deixava de ser imcompreensível para as massas.
Em Santiago do Chile: "O homem confiará no homem, como um menino confia em outro menino".

E o atingido, numa reza de vigor, pede:
Faça amor a noite toda com a liberdade e acorde com ela.
Escove os dentes e a língua, deixe ir pelo ralo toda a solidão do cotidiano urbano.
Sem entraves, nem desdém,
tenha fé no homem!

Na mesa pão, arroz e feijão,
para o dono do dinheiro, deixe que coma sua ração.
Já basta ver nas ruas a vida no papelão.
Sem arrependimentos, nem porém,
tenha fé no homem!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Poetas do século XXI

Não entendo.
Me diga: pra quê tanta poeticidade?
De poetas, o mundo está cheio! Os do século XXI, ainda mais!
Foi do clássico e formoso ao sectário e desumano.
Escrevem sob o teto engenhoso e imundo de pólvora da cidade. A chuva cai. Continuam escrevendo. Como o andarilho que de tão alto põe-se a recitar a vida, à vida ácida, numa ode. Como a presa que foge do predador.
Pára. Para mais um gole está disposto.
Refúgio-ganância? Aposto.

Penso. Talvez qualquer um possa ser poeta do século XXI.
Não é preciso seguir na dança e continuar com dados cheios de fortuna no jogo, é preciso mais.
Fincar a bandeira sobre os pés do ordinário.
Falta. Faltam punhos fechados. Entre os dedos, uma caneta. Onde está a angústia transformada em suor frio e esperança?

-Fale baixo! A praça e as calçadas estão dormindo.

A tinta se fixa.
Enquanto a caneta falha, desta caneta que fala, se afirma:
O poeta da nova geração não faz poesia.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma vez me disseram:

Largue este fuzil sobre aquele bueiro!
Calma, tudo se transforma.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Come ananás

Come ananás, mastiga perdiz.
Teu dia está prestes, burguês.

Maiakóvski
1917

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Absolutismo

Será ele o mais novo imperador?
Ou então vivo num Absolutismo e nem to sabendo?!

Só sei que essa "terra querida que tem filhos amantes" não pertence a mim e sim a ele.

Talvez eu compre um terreno perto do Parque da Cidade ou mesmo o do antigo exército.

domingo, 5 de outubro de 2008

Amar?

Há quem diga que existe um jeito apenas de amar.
Egoísmo? Talvez.
Amor perdidamente cego? Duvido.
Platônico? Existe ainda? Amor, não sei, conheço surtos ou paixonites.

Quando esse jeito "certo e único" de amar entrar para a Constituição ou for adotado pelo mundo todo...
Me liguem.

sábado, 4 de outubro de 2008

Essa tal de crise

Clóvis Rossi:
[...]"senta que o leão é manso". Se não for, agora é tarde para correr.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Desejo x Instituição

O desejo diz: " Eu não queria ter de entrar nessa ordem arriscada do discurso; não queria ter de me haver com o que tem de categórico e decisivo; não queria entrar no que já está estabelecido; gostaria que fosse ao meu redor como uma transparência calma, profunda, indefinidamente aberta, em que os outros respondessem à minha expectativa, e de onde as verdades se elevassem, uma a uma; eu não teria senão de me deixar levar, nela e por ela, como um destroço feliz".

E a instituição responde: "Você não tem porque temer começar, estamos todos aí para lhe mostrar que o discurso está na ordem das leis; que há muito tempo se cuida de sua aparição; que lhe foi preparado um lugar que o honra mas o desarma; e que, se lhe ocorre ter algum poder, é de nós, só de nós, que ele lhe advém".

Por favor, sem interdição!
Por favor, sem separação!
Por favor, sem rejeição!
 
 
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