As grandes dicotomias me assustam. Não sei se pela falta de objetividade, ou então pelo exagero especulativo.
Continuo assustado.
É preciso um crescimento, interesse. Delimitar, representar, ordenar o próprio campo de investigação.
Como base, temos o universo dividido em duas esferas, sempre polarizadas. Ou não.
Um dos pólos, talvez o positivo, se mostra em crescimento. Enquanto o outro, apesar de atos soberanos, busca fundamentos e teorias no outro pólo. É o que vemos.
Quando leio, vejo a paz se transformando em não-guerra. Assim como as teorias se transformam em não-práticas.
Entre a esfera pública e a privada, vejo apenas a inversão de valores.
Ainda existe justiça?
O tal do ego, é relevante sim.
Não será chocante ver alguém acordar como uma barata gigante, ou então mandar tomar no próprio cú.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Súbita vontade
Entre livros e cadernos, uma súbita vontade.
Já batiam 11 horas.
Apesar do gosto do café morno e do pão na chapa ainda na boca, o calor foi se entrelaçando com palavras e vírgulas.
Saiu correndo com sua bicicleta pelo asfalto esfumaçado, rumo à venda mais próxima.
Agora, em vez da gramática, das guerras e dos recursos naturais, apenas via brahmas e budweisers. Levou das duas.
Colocou-as pra gelar. Gelou, precisava tomar rápido e escondido.
Tomou.
Abriu o livro novamente e continuou.
Já batiam 11 horas.
Apesar do gosto do café morno e do pão na chapa ainda na boca, o calor foi se entrelaçando com palavras e vírgulas.
Saiu correndo com sua bicicleta pelo asfalto esfumaçado, rumo à venda mais próxima.
Agora, em vez da gramática, das guerras e dos recursos naturais, apenas via brahmas e budweisers. Levou das duas.
Colocou-as pra gelar. Gelou, precisava tomar rápido e escondido.
Tomou.
Abriu o livro novamente e continuou.
sábado, 25 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Conversas mandarim
Vi a casa cheia de mato.
Meses que não cortam aquele mato.
Quem vive lá?
Sobrado, cinzas de cigarro sobre minha cabeça. Calor.
Entre conversas mandarim vi o carrão na casinha.
Brinquedos espalhados.
Capital, parece capital. Talvez começo do século passado.
Pra quê grades? Prisão?
Uma rua sem esquina, em vez de esquina, uma casa, em vez de casa, uma grade.
E outra grade. Imigração.
Mais um pouco, chopp depois do trabalho.
Vi o homem do papelão.
A sapataria, vazia.
O homem, não.
Meses que não cortam aquele mato.
Quem vive lá?
Sobrado, cinzas de cigarro sobre minha cabeça. Calor.
Entre conversas mandarim vi o carrão na casinha.
Brinquedos espalhados.
Capital, parece capital. Talvez começo do século passado.
Pra quê grades? Prisão?
Uma rua sem esquina, em vez de esquina, uma casa, em vez de casa, uma grade.
E outra grade. Imigração.
Mais um pouco, chopp depois do trabalho.
Vi o homem do papelão.
A sapataria, vazia.
O homem, não.
Vou à feira
Descobri que fui enganado.
Qualquer um me engana.
O tempo todo, apesar de inconstante, fui perdendo para elogios.
Caralhos, desabafos, frio, raiva e amor.
Caí na praça, mas não no abraço.
Meu telefone tocou. Cortei.
É mais fácil alimentar. É mais fácil ter amizades modernas. Ou não.
Exatamente.
Vou à feira.
Vou comprar a fórmula transcendental do direito público.
Qualquer um me engana.
O tempo todo, apesar de inconstante, fui perdendo para elogios.
Caralhos, desabafos, frio, raiva e amor.
Caí na praça, mas não no abraço.
Meu telefone tocou. Cortei.
É mais fácil alimentar. É mais fácil ter amizades modernas. Ou não.
Exatamente.
Vou à feira.
Vou comprar a fórmula transcendental do direito público.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sem mais
Bem no meio da movimentada avenida, a largarta verde e gigante passeia, sem mais.
Rodeada do gás tóxico, reivindicações, homens, buzinas, programas de tv, janelas sem fim, pés sujos (alguns pela falta de sapato) que desviam da inusitada. Passeia, sem mais.
Enquanto o ar condicionado pinga.
O homem observador, talvez um motoboy com pressa, me diz:
-É o resto de meio ambiente!
Passos sobre a tubulação do transporte ou mesmo a da sujeira do cotidiano, guiam para mais 100 metros da arte.
Na cabeça, o receio de estar sobre a terra daquela verde lagarta.
As pessoas correm da chuva, sem mais.
Rodeada do gás tóxico, reivindicações, homens, buzinas, programas de tv, janelas sem fim, pés sujos (alguns pela falta de sapato) que desviam da inusitada. Passeia, sem mais.
Enquanto o ar condicionado pinga.
O homem observador, talvez um motoboy com pressa, me diz:
-É o resto de meio ambiente!
Passos sobre a tubulação do transporte ou mesmo a da sujeira do cotidiano, guiam para mais 100 metros da arte.
Na cabeça, o receio de estar sobre a terra daquela verde lagarta.
As pessoas correm da chuva, sem mais.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
À paz perpétua
"Se há um dever, se há ao mesmo tempo uma esperança fundada de tornar efetivo o estado de um direito público, ainda que somente em uma aproximação que progride ao infinito, então a paz perpétua, que sucede os até aqui falsamente assim denominados tratados de paz (propriamente armistícios), não é uma idéia vazia, mas uma tarefa que, solucionada pouco a pouco, aproxima-se continuamente de seu fim (porque os tempos em que iguais progressos acontecem tornar-se-ão, tomara, cada vez mais curtos).
Immanuel Kant - "À paz perpétua" - 1795
Immanuel Kant - "À paz perpétua" - 1795
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Ágora eletrônico
Nasceu em tempos de esperança, numa comunidade que na verdade nunca existiu.
Ao longo da vida, sempre se sentiu criador. Chocou-se quando descobriu que era apenas criatura. Talvez fosse ambos ao mesmo tempo.
Bocas enganosas sempre perseguiram, inclusive seus pensamentos viajantes e cheios de ética secularizada.
Nunca foi o mesmo.
Apesar de errático, obcecado, monocórdico ou polifônico, sempre tentou convencer de que deveria ser ouvido.
Entrou para a aldeia global, virou cidadão cibernético e respeitado. Sentia-se bem. Queria mais. MAIS.
Queria desvendar e às vezes ser desvendado, queria inventar e ser reinventado. Queria apenas "o agora", um ágora eletrônico.
Viveu contornando o real, tanto, que a falsa comunidade transformou-o num fosso. Cada vez mais fundo. Cada vez mais mundo.
Agir.
Ao longo da vida, sempre se sentiu criador. Chocou-se quando descobriu que era apenas criatura. Talvez fosse ambos ao mesmo tempo.
Bocas enganosas sempre perseguiram, inclusive seus pensamentos viajantes e cheios de ética secularizada.
Nunca foi o mesmo.
Apesar de errático, obcecado, monocórdico ou polifônico, sempre tentou convencer de que deveria ser ouvido.
Entrou para a aldeia global, virou cidadão cibernético e respeitado. Sentia-se bem. Queria mais. MAIS.
Queria desvendar e às vezes ser desvendado, queria inventar e ser reinventado. Queria apenas "o agora", um ágora eletrônico.
Viveu contornando o real, tanto, que a falsa comunidade transformou-o num fosso. Cada vez mais fundo. Cada vez mais mundo.
Agir.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
O menino amarelo
E o menino amarelo nessa de querer impressionar...
Por que não ele?
Parece que nunca alcança. Cansa. Pensa que nunca vai alcançar.
Mentira!
Sempre achou bonita a palavra escrita, temia não poder criar.
Mentira!
Fazia seu broto de poesia, pensando numa melodia, pra cantar, numa serenata, num luar.
Mentira!
E o menino amarelo, de tanto ouvir mentiras, resolveu falar.
De tanto ouvir críticas, resolveu criticar.
De tanto tentar amar, resolveu deixar. Partir. Mentir.
Partiu para não desagradar.
Por que não ele?
Parece que nunca alcança. Cansa. Pensa que nunca vai alcançar.
Mentira!
Sempre achou bonita a palavra escrita, temia não poder criar.
Mentira!
Fazia seu broto de poesia, pensando numa melodia, pra cantar, numa serenata, num luar.
Mentira!
E o menino amarelo, de tanto ouvir mentiras, resolveu falar.
De tanto ouvir críticas, resolveu criticar.
De tanto tentar amar, resolveu deixar. Partir. Mentir.
Partiu para não desagradar.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
A reza do atingido
Ah! Gostaria de olhar para os lados e ver, viver e nascer com os estatutos do homem!
Talvez na minha bandeira, talvez na cabeceira, talvez no meu portão.
Os quais nasceram em meio a confusão! Nascia naquele ano, juntamente com eles, a tal da repressão. Nascia ali a sede por justiça, então.
Tiros de esperança eram descontrolados.
Em Moscou: "Que se eleve a cultura do povo!", simples, mas deixava de ser imcompreensível para as massas.
Em Santiago do Chile: "O homem confiará no homem, como um menino confia em outro menino".
E o atingido, numa reza de vigor, pede:
Faça amor a noite toda com a liberdade e acorde com ela.
Escove os dentes e a língua, deixe ir pelo ralo toda a solidão do cotidiano urbano.
Sem entraves, nem desdém,
tenha fé no homem!
Na mesa pão, arroz e feijão,
para o dono do dinheiro, deixe que coma sua ração.
Já basta ver nas ruas a vida no papelão.
Sem arrependimentos, nem porém,
tenha fé no homem!
Talvez na minha bandeira, talvez na cabeceira, talvez no meu portão.
Os quais nasceram em meio a confusão! Nascia naquele ano, juntamente com eles, a tal da repressão. Nascia ali a sede por justiça, então.
Tiros de esperança eram descontrolados.
Em Moscou: "Que se eleve a cultura do povo!", simples, mas deixava de ser imcompreensível para as massas.
Em Santiago do Chile: "O homem confiará no homem, como um menino confia em outro menino".
E o atingido, numa reza de vigor, pede:
Faça amor a noite toda com a liberdade e acorde com ela.
Escove os dentes e a língua, deixe ir pelo ralo toda a solidão do cotidiano urbano.
Sem entraves, nem desdém,
tenha fé no homem!
Na mesa pão, arroz e feijão,
para o dono do dinheiro, deixe que coma sua ração.
Já basta ver nas ruas a vida no papelão.
Sem arrependimentos, nem porém,
tenha fé no homem!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Poetas do século XXI
Não entendo.
Me diga: pra quê tanta poeticidade?
De poetas, o mundo está cheio! Os do século XXI, ainda mais!
Foi do clássico e formoso ao sectário e desumano.
Escrevem sob o teto engenhoso e imundo de pólvora da cidade. A chuva cai. Continuam escrevendo. Como o andarilho que de tão alto põe-se a recitar a vida, à vida ácida, numa ode. Como a presa que foge do predador.
Pára. Para mais um gole está disposto.
Refúgio-ganância? Aposto.
Penso. Talvez qualquer um possa ser poeta do século XXI.
Não é preciso seguir na dança e continuar com dados cheios de fortuna no jogo, é preciso mais.
Fincar a bandeira sobre os pés do ordinário.
Falta. Faltam punhos fechados. Entre os dedos, uma caneta. Onde está a angústia transformada em suor frio e esperança?
-Fale baixo! A praça e as calçadas estão dormindo.
A tinta se fixa.
Enquanto a caneta falha, desta caneta que fala, se afirma:
O poeta da nova geração não faz poesia.
Me diga: pra quê tanta poeticidade?
De poetas, o mundo está cheio! Os do século XXI, ainda mais!
Foi do clássico e formoso ao sectário e desumano.
Escrevem sob o teto engenhoso e imundo de pólvora da cidade. A chuva cai. Continuam escrevendo. Como o andarilho que de tão alto põe-se a recitar a vida, à vida ácida, numa ode. Como a presa que foge do predador.
Pára. Para mais um gole está disposto.
Refúgio-ganância? Aposto.
Penso. Talvez qualquer um possa ser poeta do século XXI.
Não é preciso seguir na dança e continuar com dados cheios de fortuna no jogo, é preciso mais.
Fincar a bandeira sobre os pés do ordinário.
Falta. Faltam punhos fechados. Entre os dedos, uma caneta. Onde está a angústia transformada em suor frio e esperança?
-Fale baixo! A praça e as calçadas estão dormindo.
A tinta se fixa.
Enquanto a caneta falha, desta caneta que fala, se afirma:
O poeta da nova geração não faz poesia.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Absolutismo
Será ele o mais novo imperador?
Ou então vivo num Absolutismo e nem to sabendo?!
Só sei que essa "terra querida que tem filhos amantes" não pertence a mim e sim a ele.
Talvez eu compre um terreno perto do Parque da Cidade ou mesmo o do antigo exército.
Ou então vivo num Absolutismo e nem to sabendo?!
Só sei que essa "terra querida que tem filhos amantes" não pertence a mim e sim a ele.
Talvez eu compre um terreno perto do Parque da Cidade ou mesmo o do antigo exército.
domingo, 5 de outubro de 2008
Amar?
Há quem diga que existe um jeito apenas de amar.
Egoísmo? Talvez.
Amor perdidamente cego? Duvido.
Platônico? Existe ainda? Amor, não sei, conheço surtos ou paixonites.
Quando esse jeito "certo e único" de amar entrar para a Constituição ou for adotado pelo mundo todo...
Me liguem.
Egoísmo? Talvez.
Amor perdidamente cego? Duvido.
Platônico? Existe ainda? Amor, não sei, conheço surtos ou paixonites.
Quando esse jeito "certo e único" de amar entrar para a Constituição ou for adotado pelo mundo todo...
Me liguem.
sábado, 4 de outubro de 2008
Essa tal de crise
Clóvis Rossi:
[...]"senta que o leão é manso". Se não for, agora é tarde para correr.
[...]"senta que o leão é manso". Se não for, agora é tarde para correr.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Desejo x Instituição
O desejo diz: " Eu não queria ter de entrar nessa ordem arriscada do discurso; não queria ter de me haver com o que tem de categórico e decisivo; não queria entrar no que já está estabelecido; gostaria que fosse ao meu redor como uma transparência calma, profunda, indefinidamente aberta, em que os outros respondessem à minha expectativa, e de onde as verdades se elevassem, uma a uma; eu não teria senão de me deixar levar, nela e por ela, como um destroço feliz".
E a instituição responde: "Você não tem porque temer começar, estamos todos aí para lhe mostrar que o discurso está na ordem das leis; que há muito tempo se cuida de sua aparição; que lhe foi preparado um lugar que o honra mas o desarma; e que, se lhe ocorre ter algum poder, é de nós, só de nós, que ele lhe advém".
Por favor, sem interdição!
Por favor, sem separação!
Por favor, sem rejeição!
E a instituição responde: "Você não tem porque temer começar, estamos todos aí para lhe mostrar que o discurso está na ordem das leis; que há muito tempo se cuida de sua aparição; que lhe foi preparado um lugar que o honra mas o desarma; e que, se lhe ocorre ter algum poder, é de nós, só de nós, que ele lhe advém".
Por favor, sem interdição!
Por favor, sem separação!
Por favor, sem rejeição!
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