terça-feira, 22 de novembro de 2011

aqui é assim

basta existir
pra querer fugir.

http://www.youtube.com/watch?v=ti8t8VlNMAQ

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Palpita

Que pulsa,
De forte
Que fraca
Repulsa.
Fraqueja,
Se bamba
De medo
E sorte,
Que sorte
Daquele
Que para
Escuta:
E pulsa.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

de cá

essas
daqui
podem
ser


e são.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

setembro

e o poeta larápio e breaco disse: para hoje tanto haja para ontem

quinta-feira, 21 de julho de 2011

da mentira
foi simples
mente nada.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

andaram falando
pararam calando
andaram parando.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pausa para o café 2

Sete goles
Se rápidos
Esfoles
A garganta dos pensamentos

(pausa para o café)

Poucos goles
Se ríspidos
Engoles
A cafeína dos pensamentos

Pausa para o café 1

Um gole
Daqueles
Que te engole.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

pó pô

tô só
o pó
só tô

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da marca no meu dedo

Vi pedaços
Do teu prato
Que quebrou
Do teu pranto
Que caiu
E bateu
Saudade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sesta

Sexta
Potência de outrora
Na sesta dessa noite

terça-feira, 22 de março de 2011

Entrar

umnavionorte-americanoentravaumnaviolibanês

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Velocidade

A fitinha marcadora da minha agenda ficou distante: os dias passam rapidamente.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

twitter 2

acontece que eu me senti, por um momento, excluído.

acontece que algumas coisas apresentam funções inevitavelmente necessárias - hoje.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dilúculo

A noite acabou sem me dar explicações. Sem o mais nem o menos da indiferença. Quando suspirei, desse meu canto quieto, o Sol suspirou por detrás dos prédios. Não fiz questão de ouvir – e nem dizer – “bom dia”, pois meu corpo naquele instante era só noite e vagar. Sequer acendi um cigarro. De aceso já bastava o sol.

Aos poucos me acostumei com a ideia de que não se contesta a luz – nem a escuridão, porque o outro lado não é conhecido. Eis que na serenidade do incontestável resolvi silenciar no silêncio que acabara de se acabar. O movimento dos automóveis era mais intenso agora que o canto dos pássaros restantes naquele ninho de argamassa.

Estático, fiz questão de enfrentar o dia com postura de vencedor, mesmo sabendo que havia perdido. Isto mesmo: havia perdido Aurora de minha cama. Ela também era noturna e, por isso, resolveu ir embora, como quem volta para o esconderijo. Penso que seu nome só era esse pelo prazer da contradição. No quarto, restamos eu e o Sol ofuscante na madeira da cabeceira, como se ele mesmo não tivesse coragem de brilhar meu rosto.

Quebrando a rotina, não fiz questão de buscar o jornal, pois, de desgosto já bastava aquela manhã. Deixei que o porteiro ficasse com ele. E naquele meu pedaço de vida, o único prazer em ler o jornal era sustentado pelo fato de que Ela tinha uma coluna nele. Apesar de Aurora também gostar da noite, era Ela que dava cor e gosto às minhas manhãs. O problema é que fazia muito tempo que eu não gozava de uma plena noite de sono e sonhos bonitos. Entretanto, era nos escritos dela que eu dormia inteiramente. Como se eu lesse aquela combinação doce de palavras e acordasse de uma boa noite de sono. Ou mesmo dormisse em pleno sol da meia-noite e sonhasse com “revontuli”.

Só que aquele dia iria ser, no mínimo, diferente. Tive vontade de alcançar Aurora na próxima esquina e fazer tudo diferente. Diferente? Naquela morbidez daquele meu pedaço de vida seria possível um dia diferente?

Peço licença, pois ele acabou de começar.
 
 
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