quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Poetas do século XXI

Não entendo.
Me diga: pra quê tanta poeticidade?
De poetas, o mundo está cheio! Os do século XXI, ainda mais!
Foi do clássico e formoso ao sectário e desumano.
Escrevem sob o teto engenhoso e imundo de pólvora da cidade. A chuva cai. Continuam escrevendo. Como o andarilho que de tão alto põe-se a recitar a vida, à vida ácida, numa ode. Como a presa que foge do predador.
Pára. Para mais um gole está disposto.
Refúgio-ganância? Aposto.

Penso. Talvez qualquer um possa ser poeta do século XXI.
Não é preciso seguir na dança e continuar com dados cheios de fortuna no jogo, é preciso mais.
Fincar a bandeira sobre os pés do ordinário.
Falta. Faltam punhos fechados. Entre os dedos, uma caneta. Onde está a angústia transformada em suor frio e esperança?

-Fale baixo! A praça e as calçadas estão dormindo.

A tinta se fixa.
Enquanto a caneta falha, desta caneta que fala, se afirma:
O poeta da nova geração não faz poesia.
 
 
Copyright © æ
Blogger Theme by BloggerThemes Design by Diovo.com